GLEE – THEATRICALITY (1X20)

Theatricality, 20º episódio dessa excêntrica e divertida 1ª temporada de Glee. Excelente episódio? Não, eu não diria isso. Péssimo episódio? Não, não chega a tanto. Razoável? Acho que sim. Muitos erros, poucos acertos mas preciso dizer, grandes e ótimos acertos. Quase na mosca. E acho que Glee será sempre assim e sou eu quem precisa se acostumar a esse estilo de seriado nada coeso ou aprofundando. O episódio não tratou de aceitação? Enfrentar o mundo, sair do seu casulo, se reconhecer e fazer-se valer como é? Então talvez seja hora de aceitar Glee como é. A série precisa melhorar? Sim e muito, mas no pouco que acerta é suficiente para atingir o alvo dos fãs, sua emoção.

De uma pequena trama sobre o estilo gótico de ser de Tina, tivemos o desenrolar das mais diversas histórias e as mais variadas formas de aceitar-se como é e que se danem os outros. Mas na minha simples opinião eu só acho que existe um limite para as coisas. Você não precisa ser uma aberração ambulante e tentar chocar o mundo a cada 5 segundos. Nem sempre visual e estilo remetem a personalidade, as vezes remetem a falta de ter uma. Porém não foi esse o caso do episódio, todos tinham sua personalidade e brilhantemente lutaram por elas, mesmo quando obstáculos apareciam no caminho.

Confesso que o visual gótico de Tina me incomoda e eu não gosto desse visual dark e escuro. Mas toda sua trama e o desfecho com ela bancando a vampira para cima do diretor foi extremamente divertido, alem do mais, ótimas más referências sobre Crepúsculo, zoando o estilo. Agora só não gostei da forma que o episódio tratou Lady Gaga, como se ela fosse um modelo de referência e um exemplo para as pessoas. Seriously?? Pior que isso, foi ver Will todo empolgado falando para Finn sobre as descobertas que fez sobre Gaga. Menos Will, bem menos…

Rachel teve excelentes cenas, comoventes inclusive. O dueto com Shelby, sua mãe, cantando Poker Face foi uma das mais lindas interpretações para essa música. Pra mim qualquer música pop exaustivamente tocadas em rádios ou TV, transforma-se quando alguém a interpreta de forma lenta ou acústica. A música ganha qualidade, foge do mercado comercial, pop e fútil do qual originou-se. Então a trama de Rachel funcionou, comoveu. Mas é um sentimento dúbio, de bom e ruim. As cenas foram belas, comoventes mas quebradas, faltando um elo de ligação maior. Vejamos, Shelby fez tudo isso para encontrar a filha, usou Jesse e cadê Jesse nesse episódio para dar apoio a Rachel? Pior que isso foi a falta de aproveitamento da bela voz de Jonathan Groof que até agora mau solou e quando sola é com Rachel. Outra questão, somos jogados a essa trama mãe x filha sem nunca termos visto Rachel com seus pais de criação? Sem nunca termos visto sua convivência e pior, num momento tão importante da vida de Rachel, onde ela é a “estrela” de tal assunto, cadê seus pais adotivos? De que forma isso os atingiu e como mexeu com Rachel e eles tudo isso? Mas acho que o mais frustrante foi o desfecho, depois de Shelby fazer tudo isso para se aproximar de Rachel ela percebe que não está pronta para ser mãe, que perderam tempo e agora é tarde demais. Seriously?

Mas, o mais chocante do episódio foi a cena do pai de Kurt gritando com Finn. Nossa, fiquei atordoado, acho que nunca vi tanta carga dramática em Glee ou em alguma outra série abordando tal tema. E sério foi sensacional, lindo mesmo e comovente. Que paizão esse de Kurt. E o principal não foi isso, foi a realidade. Nenhum garoto gay cresce tendo uma vida fácil e normal. Nenhum garoto gay tem uma vida a La Dawson´s Creek, igual a Jack McPhee. A maior parte dos garotos gays, crescem sendo humilhados e sofrendo deboches constantes, igual o episódio mostrou quando Tina e Kurt eram maltratados nos corredores da escola. Isso sim é realidade. Mas o digno do episódio foi Kurt se aceitar e se defender em todas as vezes que foi marginalizado e que interpretação desse garoto, eu tiro o chapéu viu.

Mas agora vamos falar de Finn em meio a isso tudo. Eu não o considerei um vilão ou errado. Ele é hetero. Não vejo por qual motivo ele tem que aceitar dormir num mesmo quarto que Kurt e aceitar o mundo “gay” de Kurt. Ele pode conviver com Kurt, respeitar sua sexualidade mas não é obrigado a dormir num quarto gay ou gostar do modo gritante que Kurt expões sua sexualidade. Há que ter respeito e limites de ambos os lados. A bronca do pai de Kurt foi memorável, “não aceito o termo bicha dentro da minha casa quando eu tenho um filho gay, quando eu levei anos para entender isso”. Porem Finn não estava totalmente errado, nem Kurt poderia ser a total vítima que foi. Kurt dá em cima de Finn, adorou dividirem o quarto e quando Finn o confrontou a respeito disso, ele foge. Eu não estou acusando Kurt e dizendo que ele está errado, porque não há lado errado e lado certo nisso tudo, há um lado humano. Um garoto hetero sendo tragado pelo universo gay de outro garoto, e há um garoto gay platonicamente apaixonado por um garoto hetero, o que o faz meter os pés pelas mãos como vimos nesse episódio. Finn mereceu a bronca de certa forma, mas Finn não estava errado nos seus argumentos e pensamentos, seu erro foi usar o termo bicha de forma altamente pejorativa no lar de um pai e um filho gay. Mas em meio a isso tudo, Finn era tão vítima quando Kurt. Os 2 se debatendo em seus mundos para continuarem sendo quem são.

Mas eu preciso ressaltar novamente. As palavras do pai de Kurt foram sensacionais, reais, verdadeiras. Talvez não para Finn, talvez não fosse ele que merecia ouvir isso, mas sim há muitas pessoas que mereciam ouvir um sabão desses.

Então no final quando Finn defende Kurt, e todo o Glee club se une pela mesma causa, eu achei bonito, comovente, mas faltou uma abordagem de limites no episódio, até onde Kurt pode ir com Finn e vice-versa, e não Finn aceitando tudo e convivendo com Kurt quando visivelmente isso o incomoda. Alem disso, o drama inicial de Finn quando descobre que vão morar juntos eu ate considerei uma atitude falha da série, já que Finn e o pai de Kurt já tinham se entendido antes, porem agora entendo os reais medos de Finn. Um pouco de preconceito de Finn? Sim. Morar com um garoto gay e ter a escola o zoando por isso? É feio ele sentir isso? Talvez seja, mas é real e eu não cobro outra postura dele. Sabe por que? Ele é humano. Ele não é gay e é claro que nessa idade ninguém quer ser agredido a todo momento e o povo de uma escola sabe ser cruel. Portanto não acho que apenas Kurt foi a vítima da história, acho que Finn até foi mais, pois ele teve que mudar um pouco e compreender mais Kurt, quando ao contrário, Kurt não saiu da pose de vítima e não tentou entender os limites de Finn.

Entre acertos e erros esse foi mais um episódio de Glee. E eu coloco aqui o que falei hoje com uma amiga e ela expressou a mesma opinião. O problema de Glee é viver de aparência, status, sucesso. Falta a série desenvolvimento dramático, aprofundamento das tramas. Falta a série desenvolver a cada episódio a história de todos os personagens que ela se propõe a tratar, no caso Quinn, Mercedes, Artie e Tina. Até agora isso só ocorre com Rachel, Finn e Kurt. Por isso a trama de Kurt vem funcionando, não foi do dia para a noite que ele é apaixonado por Finn, nem de ontem para hoje que ele sofre por ser gay. Já os demais ficam mudos, desaparecem por vários episódios e daí do nada a série joga uma trama para eles em determinado episódio. Sem continuidade, sem aprofundar isso, sem criar no público uma proximidade com a trama. Soa superficial, acelerado e não funciona. Peguem a trama de Quinn, que eu vi muitos reclamarem da enrolação ao longo dos 13 primeiros episódios da temporada. Eu não concordo, não vi enrolação, vi uma trama ser desenvolvida e tratada, desde o seu início até o seu clímax. É isso que os demais personagens precisam, inclusive Quinn que desde o retorno da série, desapareceu. Tivemos ela e Puck nesse episódio. E confesso, adorei. Mas eles deveriam ter tratado esse casal – a complexidade e dificuldade deles morarem juntos agora, dos problemas da gravidez e de convívio – desde a retorno da série, a cada episódio. Essa trama merecia maior extensão, merecia foco, desenvolvimento. Puck e Quinn roubam qualquer cena e a série não podia ter cometido esse enorme erro, deixando eles de lado. Foram 7 episódios para jogarem finalmente uma trama minúscula para os 2. A sorte que tanto Puck e Quinn tem carisma, são excelentes personagens e funcionam em cena, porque impossível não ter se emocionado com eles nesse episódio. Mas Quinn merece mais que ser usada em cenas musicais sem barriga de grávida, batendo no chão igual na dança de Bad Romance como senão estivesse grávida. Quinn e Puck retrataram nesse episódio o maior erro de Glee, tramas surgirem do nada e sumirem do nada. Como foi com Artie episódio passado, como foi com Mercedes no episódio quando ela canta Beautiful. E no entanto a série perde tempo aprofundando tramas apenas para Rachel, a cada episódio. Nem Jesse foi bem aproveitado. Eu sei que ela é a protagonista, mas para essa série ter futuro e dar certo, ela precisa melhorar em muitos aspectos. E o principal, aprender que não se vive de sucesso momentâneo, e que não dá pra viver apenas de 1 personagem, todos tem que ser estrelas ali e não apenas um.

O retorno da série ao contrário da opinião de outras pessoas, não foi bom para mim. Os episódios estão longe da qualidade do que eu vi nos episódios 7 ao 13. A série parece perdida, sem assunto. Exagerando nos números musicais, em super produções musicais mas esquecendo do seu texto, esquecendo que há mais 10 personagens alem de Rachel e Finn. Esqueçam tramas de Will, esqueçam participações especiais, dêem tramas aos demais 10 personagens, dêem a Sue, e façam isso gradativo, crescendo a cada episódio, e daí sim coloquem os números musicais, dosem o drama com humor. Se a série fosse por esse caminho, sem dúvida não desapontaria fãs como eu.

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