DESPERATE HOUSEWIVES – IF (6X11)

E já no dia 3 de janeiro de 2010, as donas de casas mais desesperadas da tv, voltaram para dar continuidade a sua até então desinteressante 6ª temporada, porém após um forte episódio antes da tradicional parada de fim de ano, devo admitir que “If”, o 11º episódio dessa temporada, me surpreendeu bastante. O episódio definiu quem morreu após o acidente de avião e de que forma tais acontecimentos mexeram com as pessoas do bairro. Ainda com histórias fracas e pouco interessantes como as de Susan e Gaby, e da história clichê de Bree, mais uma vez a atuação de Felicity Huffman na melhor história do episódio envolvendo Lynette compensou todo o episódio. Acredito que foi a primeira vez que tal série me fez chorar e emocionou muito. As cenas de Lynette foram extremamente fortes, envolventes e uma verdadeira lição de vida. Só posso dizer parabéns aos roteiristas porque pela primeira vez me surpreenderam. Eu poderia esperar algo tão dramático assim de qualquer série, menos de Desperate, que considero muito irreal ou melhor surreal e absurda, mas dessa vez alguns míseros minutos de um episódio, valeram muito mais que os 42 minutos de cada um dos 10 episódios dessa temporada e talvez dos das 5 temporadas anteriores.

Com a indecisão sobre o futuro de Orson, Mona Clarke, os bebês de Lynette e Karl, nesse caso especialmente Karl, Susan, Gaby, Lynette, Bree e não sei porque Angie, passaram a imaginar seus futuros ou como sua vida teria sido SE certas decisões tivessem sido diferentes. A história de Susan considerei a mais chata, como sempre. Ela imaginou se não tivesse se separado de Karl e como teria sido sua vida com ele, o que a fez se imaginar gorda e no final perdendo Karl porque ele nunca deixou de ser galinha. Resumindo, ela entendeu que apesar de toda dor que ele a causou, no fundo, tal separação deu a ela a oportunidade de ser feliz ao lado de Mike.

Já Bree ao receber as notícias sobre Karl passou a ter os mesmos SEs na cabeça. Imaginou como seria sua vida com Karl, como previsto ele continuou galinha e aprontou com ela, logicamente sem dizer umas verdades a dama de Wysteria Lane, já que ela não foi nenhuma santa. Como disse Karl: “ que fiz com você Bree, você fez com Orson então porque me culpa?” Por outro lado, isso levou Bree a pensar em Orson e como a separação o afetou. No final de sua imaginação Orson estava morto e teoricamente morto por amor, por nunca ter voltado a viver após perder Bree. Agora resta saber como Orson vai conviver com a traição da mulher e se Bree tentará reconquista-lo. Mas há um agravante ainda maior, pois devido ao acidente, Orson que sobreviveu, talvez possa ficar paralítico. Eu até simpatizei com Karl e Bree, não consigo ver Orson com bons olhos, ele tentou matar Mike, e mesmo tendo ido para a cadeia por 5 anos, pra mim ele não tem nada de uma pessoa normal para ser o parceiro de Bree ou de qualquer outra pessoa. Mas sejamos francos, se tem algo que Bree não é, seria ser algum normal.

Angie também teve seu SE, o que foi interessante pois revelou muitas coisas sobre o tal da mistério da temporada. Angie é a senhora de Luca, Nick é um traidor para o FBI e Danny ou melhor Tyler estava com sua mãe nesse SE de Angie, ou seja, ou eu entendi errado ou Danny/Tyler não é filho dos Bolen, por outro lado a tradução “ele está com sua mãe”, poderia ser que ele está com a mãe de Angie. E descobrimos que Angie teve um caso com um tal de Patrick Logan, e que estão atrás dele e que ele é muito assustador. Angie se vê sendo sentenciada a prisão perpétua pelo homem que matou, um tal de Sean. Honestamente eu não entendi muita coisa. Por não me interessar por esse mistério, eu mal gravei o nome dessa nova família do bairro e confesso ser uma história na qual estou bem perdido e pouco me agrada ou me interessa. Enquanto vejo vários fãs aclamarem Drea de Matteo por ser papel, a mim não faria falta na série. Então o SE de Angie, embora tenha revelado mais algumas coisas, não sei dizer se eu percebi tudo que deveria. Outra questão é que se Mona Clarke não morresse, o que levou Angie a imaginar coisas, eu fiquei pensando o que Angie não faria para que tal mulher não sobrevivesse. Mas para não piorar as coisas, a mulher morreu. O que tiro de positivo nessa história sinistra é que apesar dos métodos nada ortodoxos como mãe, Angie realmente ama seu filho Danny, assim como ele a ama, e talvez o maior motivo dela viver essa vida fugitiva seja para manter não apenas a si mesma em segurança, mas seu filho também.

Com Lynette salvando a filha de Gaby do acidente, Gaby passou a imaginar que sua filha tem algum dom especial e por isso Deus a quis salva. Com isso vemos mais uma vez Gaby cheia de idéias absurdas, fazendo de tudo para encontrar algum talento na filha e o interessante disso tudo, for ver Gaby bemmmmmmmmm mais velha. No fim, foi uma história bem fraquinha. Vale ressaltar que em todos esses SE que vimos, Desperate manteve seu sarcasmo e suas piadinhas repletas de humor negro, típico da série.

Mas foi Lynette que sem dúvida teve a melhor história, mais forte e mais emocionante. Saindo do humor negro e frases pejorativas, a série nos deu talvez um dos momentos mais lindos, fortes e sensíveis que uma série pode nos dar. Lynette sente dores e teme por perder seus bebês, o médico avisa que 1 deles está bem e que o outro pode não sobreviver senão for feita uma cirurgia, e se sobreviver pode ter seqüelas, físicas o mentais. E assim vemos Lynette imaginando como seria ter um filho com deficiência. E foi de arrepiar, primeiramente até me revoltei por ver uma mãe tão egoísta eM não aceitar tal situação do filho, mas graças a Tom ela aprende a lidar com as limitações do filho e resolve finalmente ajuda-lo. Foi simplesmente comovente, impossível de não se emocionar. Uma verdadeira lição de vida. E o principal é a coragem da série ao mostrar algo que por vezes é escondido. Uma mãe ter dificuldade de conviver com um filho, com suas limitações, apesar de todo o amor que sente por ele, foi algo corajoso de se colocar no ar e o principal foi a redenção tanto para mãe quanto para filho, quando após tantas dificuldades Lynette vê seu filho se formando e ele publicamente agradece a todo incentivo que sua mãe lhe deu. Graças a uma dura realidade Lynette se viu obrigada as vezes a ter que incentivar seu filho a fazer coisas sozinho, sem ela para ajuda-lo ao dizer que um dia ela poderia não estar mais ali para fazer um simples sanduíche que fosse. Foi lindo, não deu para segurar a emoção e não chorar. Pouco antes disso, a cena da cozinha, com Lynette lavando louça e o filho pedindo um sanduíche e ela aparentemente se negando a fazer, não por estar cansada mas para que seu filho aprendesse a se virar sozinho apesar de suas limitações, onde, nitidamente se evidenciou o sofrimento e amor de uma mãe querendo ajudar seu filho e tendo que se segurar.

E ele bravo com isso, então decide em meio a suas limitações fazer sozinho e consegue. A cena mostrando ela com a mão tremendo na pia, foi chocante. Uma mãe que precisa ser forte, vendo as limitações de seu filho para que ele lute e consiga fazer algo sozinho, sem depender dela para tudo. Sabemos que as mães fazem tudo por seus filhos, mas nem sempre isso é o correto, as vezes eles precisam cair e levantar sozinhos para aprenderem e nesse caso, mãe e filhos tiveram que viver isso da forma mais dura. A forma que a cena foi filmada, quando a câmera focava nas dificuldades motoras do filho de Lynette, foi arrepiante. Uma grande cena, uma grande atuação. Só por esses poucos minutos, acho que lá pelos 30 minutos até os 38, merecem um Emmy para Lynette.

E no final após ver como seria a vida com seu filho, Lynette descobre que ele não sobreviveu. E nos emociona mais uma vez ao dizer que ele se chamaria Patrick e seria maravilhoso. Ela diz isso a Gaby, que foi agradecer a Lynette por ter salvo sua filha. Linda cena.

As vezes ou quase sempre, reclamamos da vida, de coisas cotidianas e esquecemos de ser gratos pelas coisas tão simples e importantes que temos no dia a dia. Seja nossa família, por mais defeituosa ou problemática que seja, sejam nossos amigos por mais imperfeitos que sejam, seja pelo simples que se tem para almoçar, para vestir mas principalmente por estar vivo, por ter saúde, por apesar de nossas imperfeições, sermos perfeitos. Se não fossemos fisicamente perfeitos, ou com boa saúde, o que seríamos então se já nos lamentamos por tão pouco quanto temos muito? Enfim, as vezes por mais que seja ficção é preciso um certos tapas na cara, umas certas lições de vida, para voltarmos a agradecer pelo que temos e somos.

Sem dúvida um emocionante episódio. Karl se despede da série mas fez Bree e Susan analizarem suas vidas e serem gratos a ele de alguma forma. Uma vida salva e outra perdida fizeram Gaby e Lynette voltarem a ser amigas. Só senti falta de alguma cena para July ao perder o pai e Katherine que nem apareceu, pois terminou tristemente internada no episódio anterior. Mas depois de tantos episódios monótonos, a série voltou a impressionar e saindo do humor negro, foram as partes reais da vida, as emoções, dores e alegrias que fizeram desse episódio, pelo menos em algumas partes, um dos melhores da série. Parabéns a Felicity Huffman e Zayne Emory (filho dela no episódio) que deram um show de emoção e atuação.

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