GLEE – Wheels (1×09)

010

Grande episódio de Glee, após 2 semanas fora do ar, o episódio da última quarta serviu para matar as saudades do Glee club e nos surpreender com muitas novidades e principalmente muita emoção. Difícil dizer se foram as cenas de Arty e Tina, ou Punk e Quinn, ou ainda uma cena surpresa de Sue, porque a emoção correu solta o episódio todo. Mas se formos juntar tudo, é possível dizer que foi um episódio falando das diferenças, da aceitação dessas diferenças e sobre amizade e generosidade. Não faltou emoção, não faltaram boas músicas e interpretações e confesso que tinha medo que o episódio me decepcionasse, pois após os 3 últimos excelentes episódios achei que a série poderia cair um pouco, mas não, o episódio foi empolgante e mostrou que Glee alem de fazer rir com sua irreverência sabe emocionar muito bem. Destaque do episódio? Sem dúvida, Kurt, Arty e Puck.

É difícil começar porque tudo pareceu interligado. Mas eu gostei muito do espaço que finalmente Arty e Tina tiveram no episódio, assim como Kurt. Já era tempo de explorar as ótimas histórias que especialmente Arty e Kurt podem dar a série. Acredito haver muito mais profundidade que se possa extrair desses 2 personagens do que um foco exagerado na luta pessoal de Rachel para se tornar uma estrela. Foi nesse episódio que descobrimos como Arty ficou na cadeira de rodas, além de sabermos também da queda que ele tem por Tina.

E sutilmente o episódio tocou num assunto delicado e importante, ao abordar a questão de Arty na cadeira de rodas e as dificuldades de acesso aos lugares, justamente por diversos lugares não estarem preparados para isso. A dificuldade de arrumar um ônibus onde Arty pudesse ir com todos, rendeu diversas lições de vida. O Glee club se uniu para arrumar dinheiro para um ônibus, primeiramente contrariados, mas após a ótima idéia de Will em fazê-los usarem cadeira de rodas, eles aprenderam e viveram na pele as dificuldades que Arty vive todos os dias. Primeiramente foram contra mostrando um pouco de indiferença e falta de amizade, mas aos poucos foram percebendo o poder da união e da amizade entre eles. De fato na vida, nada como se colocar no lugar do outro para entender um pouco do que a pessoa sente e passa. Arty no solo “dancing with myself” foi uma cena lindíssima, a iluminação e a dança no palco, fantásticas. A cena que finalmente rola um beijo entre ele e Tina foi bonita e forte, pois Tina revela que não tem problema para falar e que fez isso para se afastar de algumas coisas e Arty diz uma de suas melhores falas na série, que a cadeira de rodas já o afasta das pessoas então ele não precisa fingir nada disso, o que foi uma dura lição para Tina, ainda mais com ele ficando magoado e dizendo a ela que eles não têm nada em comum. Cena linda, os 2 no corredor, a luz de uma sala aberta sobre eles, o beijo, os olhares, as palavras, simplesmente lindo.

Outro a ter espaço no episódio foi Kurt, e novamente as cenas dele com se pai foram lindas. É lindo, tocante a forma que o pai tenta apóia-lo e ajuda-lo porque você percebe a enorme dificuldade para ele e mesmo assim o amor entre pai e filho prevalece. Mas o mais lindo ao meu ver, foi Kurt sabotar sua apresentação para deixar o solo de uma música com Rachel, do musical Wicked. Eu pulei essa parte e não expliquei a vocês mas eles fariam uma apresentação da musica Defying Gravity e novamente o solo seria de quem? Rachel. Mas Kurt propõe uma disputa entre ele e ela para conseguir o solo, mesmo a musica sendo feminina. No final de tudo após o pai de Kurt receber uma ligação de alguém chamando seu filho de viado, Kurt sabota sua performance para evitar tanta exposição para que assim seu pai não sofra as conseqüências disso. Sinceramente as cenas entre os 2 em episódios passados já foram lindas e emocionantes o suficiente, e essa se junta a mais uma delas. Talvez o dia em que Rachel aprender um pouco desse tipo de generosidade aí sim ela estará pronta para ser a estrela que tanto quer ser. Sobre a apresentação deles senti Kurt muito mais a vontade na música e sem esforço algum, enquanto Rachel se retorcia para chegar aos pés dele. Destaque engraçado, quando Kurt diz ao pai assim “você não precisará se preocupar se eu engravidar alguma garota”.

Puck percebe os problemas que Quinn e Finn enfrentam quando a realidade financeira da gravidez se apresenta na vida deles. E ele tenta ajudar Quinn da forma que pode. Ela rejeita inicialmente como sempre o ofendendo, mas após um tempo reconhece que ele não é um perdedor e pede desculpas. E essa transição de Puck é muito interessante, pois mostra exatamente como a série constrói estereótipos de personagens mas foge deles, mostrando que todos ainda estão crescendo e aprendendo, ninguém é totalmente bom ou mau, mas sim humanos aprendendo com erros e acertos. E Puck desde que soube da gravidez se preocupa com Quinn, mostrando como ela mesma disse um lado todo romântico e bom dele. Mas como Glee é irreverente, Puck ajuda Quinn e o glee club ao fazer os bolinhos para venda e arrecadar dinheiro para a viagem, usando maconha entre os ingredientes. Quinn que anda entre seu lado fútil e seu lado doce e generoso, não aceita o dinheiro pois reconhece que Arty merece mais isso. E em outro momento de atitude admirável, Arty resolve usar o dinheiro para construções de rampas no colégio.

Finn que é o episódio todo acusado por Quinn por não fazer nada para ajudá-la consegue um emprego com a ajuda de Rachel. E claro que os meios para isso não foram os melhores, mas pelo menos ele perdeu um pouco do jeito bobão e agiu de forma finalmente a cair na real para ajudar Quinn. Na verdade é uma situação difícil, os 2 são inseguros, têm medos, não sabem como lidar com tal situação, não é culpa dele agir assim muito menos dela. Estão nos extremos de seus nervos ao terem que conviver com uma gravidez inesperada e o episódio retrata bem como isso afeta uma relação e como as dificuldades vão aparecendo no caminho para dificultar ainda mais. O que gostei foi da posição de Puck dando uma dura lição em Finn, mandando-o acordar e dizendo que ele deveria fazer qualquer coisa para ajudá-la. Outro detalhe, numa pequena cena, Quinn percebe novamente a ligação de Finn e Rachel. E eu torço pela cena que ela caia em si e corra para os braços de Puck, pois a cena dele falando para ela que serão uma família foi linda.

Sue que até então era a nossa vilã, nesse episódio trouxe uma cena muito emotiva. Quando ela recruta uma garota com síndrome de down para as lideres de torcida, Will duvida de sua atitude. Mas no final descobrimos o porque dela ter feito isso e o porque de tentar tratar a garota normalmente, quando a vemos visitando sua irmã no hospital portadora da síndrome. A cena foi comovente mesmo. E ela diz a Will que o que essas pessoas querem senão serem tratadas igualmente? O episódio já tão cheio de questões profundas como as dificuldades da gravidez de 2 adolescentes, a dificuldade de um adolescente em cadeira de rodas e a dificuldade de um adolescente gay, ainda arrumou espaço para mostrar um adolescente com síndrome de down. Sem dúvida um dos episódios mais comoventes e lindos da série.

São minorias, são grupos, são diferenças, mas todos estão aí debaixo do nosso nariz. Há quem os ignore, há quem os ofenda, há quem os discrimine, mas há ainda quem os acolhe, e há aqueles entre eles que tem um coração generoso e uma força extrema para viver em meio a tudo isso, dando belos exemplos de vida, como Kurt e Arty. Foi sem dúvida um lindo e forte episódio, ao menos a mim, tocou em cheio. E uma das coisas que mais gostei foi a apresentação final, finalmente sem Rachel, com Arty, Mercedes e Tina se destacando, e o mais belo de tudo, já que passaram todos em cadeira de rodas o episódio inteiro, a apresentação foi em cadeira de rodas. E eu só faço elogios ao elenco, pois imagino a dificuldade para todos em fazer um episódio todo assim. Ótima música na apresentação final, ótima performance, mas ótimo mesmo foi toda a mensagem de generosidade e amizade que aprendemos nesse belo episódio. Eu ficava surpreso a cada cena, cada vez mais ansioso pela próxima e a cada cena percebia, que não somos nada sozinhos, precisamos uns dos outros, um abraço, uma palavra de conforto, um sorriso. Amizade serve pra isso, compartilhar nossas alegrias e dores e ir dando passos que nos levam a pensar que não serão os grandes momentos que nos farão sermos quem somos e sim os pequenos passos do dia a dia, que constroem quem somos.

Explore posts in the same categories: Glee, Opinião

Tags: , , , , , , , , , , ,

You can comment below, or link to this permanent URL from your own site.

2 Comentários em “GLEE – Wheels (1×09)”

  1. Lee Says:

    Incrivel, incrivel, incrivel!

    Que epi. emocionante!
    Espero que continue assim😀
    Artie e kurt deram um show! S2
    Puck tbm tem subido muito² no meu conceito.
    Rachel tá me cansando -.-‘

  2. markinseries Says:

    Oi Lee
    Esse episódio foi lindo, nossa, muito emocionante. Tomara que a série continue nesse nível porque acertou em cheio. Foi muito lindo e nossa, muita emoção, me comovi em muitas cenas. E realmente já faz tempo que nao aguento essa coisa de darem solos para Rachel. chega ne? tem gente que canta muito melhor do que ela.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: