DESPERATE HOUSEWIVES – Don’t Walk On the Grass (6X06)

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Um bom episódio de Desperate Housewives, logicamente distante dos melhores episódios que a série fez mas ainda assim Desperate segue bem características que definem bem a série. Volto a frisar como a série constrói bem pensamentos e diálogos comuns do dia a dia e consegue ser ainda melhor quando vai buscar dentro do ser humano aquelas falhas que esperamos que sejam reparáveis um dia e que mostram o quanto o ser humano é complicado e por vezes tem atitudes mesquinhas e o quanto evita olhar para seus próprios defeitos, cometendo-os novamente dia após dia. Ninguém é perfeito e nunca será e Desperate mostra bem esse lado humano onde as pessoas tentam viver normalmente fingindo não ver suas atitudes mais desagradáveis e como Tom disse a Lynete, dar uma de superior quando se comete erros também não ajudará a trilhar um caminho certo.

Foi mais ou menos isso que senti ao ver esse episódio. O que me incomoda as vezes é ver Tom fazendo algo tão bacana por Lynete num episódio e no próximo regredir ao velho e bobo personagem. O mesmo com Gaby que toma lições a cada episódio e de repente volta a ser infantil e egoísta como sempre. Mas é aquela coisa, nem todo mundo munda, talvez sempre serão o que são, com leves momentos de aprimoramento e é aí que Desperate revela bem um pouco do que as pessoas são.

No episódio quando pensei que os problemas de Lynete seriam por ele se comportar como um típico universitário beberrão, o que seria ridículo pra um homem da idade dele, descobrimos que ele se juntou a esses tipo de estudantes para não bombar na faculdade, pois os garotos conseguiram as respostas da prova de matemática ou estatística. E ao se repreendido por Lynete, Tom mesmo errado coloca um ponto em questão, pois por mais que sejam pais e tenham que a todo custo dar exemplos a seus filhos nem sempre a vida permite que não se quebrem regras e Lynete ao mentir para Gaby sobre sua gravidez não está em condições de criticar Tom. Logicamente que colar não é correto, mas aponte um estudante que nunca fez isso na vida, mas mentir para amigos pode ter um custo caro demais. Mesmo que Lynete faça isso por sua família e trazer dinheiro todo mês para casa, é aquele negócio boa intenção em algo do tipo os fins justificam os meios. Não são vilões, não são maus, apenas são duas pessoas tentando manter seus sonhos e sua família. Culpá-los não nos cabe, lógico que o que fazem não é certo mas quando na vida conseguimos ser um exemplo a ser seguido a cada momento, não é?

Gaby enfrenta problemas novamente com a questão de ser ou não uma boa mãe. Juanita acaba com problemas na escola por soltar um palavrão numa peça de teatro e a diretora resolve puni-la. E quando Gaby se mete tudo se complica mais. Educar filhos nos dias de hoje é uma tarefa difícil, muitos valores mudaram, não se vive mais em tanta harmonia e com segurança. O dia a dia atual roubou grande parte do tempo das pessoas, e quando falo dos adultos de hoje percebo que somos nós, as crianças e jovens dos anos 80 e 90 que tanto ouviam “vocês são o amanhã e a esperança”. E o que nós crianças e jovens daquelas décadas fizemos? Progredimos na tecnologia mas vivemos presos, num mundo que não oferece segurança, o meio ambiente está detonado, as relações se tornam cada vez mais difíceis, relacionamentos acabam, amizades as vezes se concentram em interesses pessoais, namoros não dão certo porque vivemos uma época onde a lei a pensar em nós mesmos primeiros e tudo isso dá uma sensação de fracasso. Nós que iriamos mudar o mundo, mudamos, mas sinto falta dos valores e pessoas que via na infância e na adolescência, e quando vejo valores errados sendo passados a filhos por jovens que cresceram ao mesmo tempo comigo, me pergunto, o ser humano tem salvação? Talvez seja o momento de refletirmos e mudarmos certas coisas em nós mesmos e buscarmos um mundo no qual crescemos e não no que vivemos hoje.

Gaby ao final de tudo aprende que gritar, brigar tanto talvez não seja o caminho pois quando pergunta a Juanita se ela é uma boa mãe, a filha não responde e pede para voltarem ao estudo. Com certeza isso atingiu Gaby muito mais do que ouvir algo parecido da diretora.

Katherine segue seu caminho a loucura. É uma pena ver a personagem ser transformada dessa forma, mais um pouco ela vira uma vilã. Pior ainda é ver ela ser enganada e manipulada por Angie e nem perceber e muito menos desconfiar dessa estranha família no bairro. Susan e Katherine continuam suas intermináveis brigas, numa amizade mais do que afetada por tudo isso, e nenhum dos lados esta disposto a ceder.

Bree recebe uma proposta de casamento e foi esperta o suficiente para dizer a Karl que quando ele se tornar o homem que ele diz poder ser caso case com ela, ela poderá pensar nisso. E sim, ele se tornar esse homem não após a se casar mas já, gradativamente e foi engraçado no começo do episódio quando mostram Bree incomoda com os defeitos morais de Karl.

E assim os mistérios vão ganhando pitadas de pequenas pistas intrigantes. Angie liga para sua mãe, Katherine vê isso mas absolvida por Susan e Mike não vê além disso. E então qual o envolvimento da mãe de Angie com seu segredo? O broche que Karl deu a Bree e que ela mentiu ter comprado numa loja, ajudou Orson a descobrir ou pelo menos ter o ínicio de suspeitas sobre Bree, pois quando ele vai comprar um broche para ela na mesma loja descobre que ali não vendem isso. A respeito de Orson mesmo ele tendo pago pelo crime quando atropelou Mike, ainda não simpatizo com ele, e assim como o marido de Mary Alice que sumiu da trama e tinha um ar louco, acho que deveriam ter feito o mesmo com Orson. E se Karl realmente mudar, acredito que ele combina com Bree. Mas o que mais me chamou atenção foi o veneno plantado por Angie em Susan, sabotando ainda mais a quase perdida amizade das duas e foi algo bem grave que Angie fez, dizendo a Susan indiretamente que Katherine pode ter sido quem atacou Julie. E eu gostei dessa idéia pois trará muito mais confusões na série e ação.

Numa temporada pouco empolgante, com episódios também pouco interessantes, ao menos Desperate não perde sua essência, e mantém as ótimas narrações do dia a dia das pessoas bem como uma análise sutil de seus piores defeitos e suas qualidades quando essas aparecem após reflexões e aprendizados. O jeito é aguardar e ver se a trama pode surpreender mais, se pode se tornar empolgante, porque até então Desperate tem feito o básico, nada além disso. Mas ainda continuo gostando das boas narrações ao fim e início de cada episódio.

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