DESPERATE HOUSEWIVES – Everybody Ought to Have a Maid (6X05)

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Um bom episódio de Desperates Housewives nessa semana, obviamente não tão importante para a trama, pois não avançou muito em revelações ou seus mistérios, nem tão pouco foi aquele tipo de episódio que todos saem falando de forma empolgada, mas se for ler nas entrelinhas, perceberá uma ótima execução de um episódio falando sobre julgamentos. Seria hipocrisia dizer que não julgamos os outros ou que vivemos sem julgamentos, por mais que muitos falem que não julgam os outros, que isso é errado a verdade é que volte e meia acabamos fazendo isso, por mais nobre que queiramos ser, não conseguimos ser 100% do tempo. E o lance de julgar, não se limita apenas quando julgamos a vida de alguém onde por muitas vezes acabam sendo julgamentos injustos, mas sim quando julgamos a nós mesmos, o que raramente fazemos, por que encarar certas verdades, é algo difícil e mesmo quando as vemos, por vezes continuamos a fazê-las. Então é mais cômodo julgar os outros, para se distrairmos de nossas vidas e problemas, mas isso tem um preço, pois quanto mais evitamos nos julgarmos, maior será a sentença no final. A cena final fala um pouco de julgamentos, com a bela narração de Mary Alice.

E acredito que esse episódio retratou um pouco disso. Vemos Danny julgando seu pai ao descobrir o caso dele com Julie. E honestamente, na posição de Danny eu faria a mesma coisa. O pai dele tem uma cara diabólica, mas o pior, a mãe dele também tem. E eu simplesmente não ando suportando essa família e sua trama. O que será que eles escondem? Só sei que Desperate terá que fazer um ótimo trabalho para inovar com um mistério que não se pareça com os anteriores, especialmente o de Katherine. Estão vendo como é difícil não julgar? Acabei de julgar os novos moradores.

Lynete e Tom tiveram bons momentos. O ar dominador e contralador de Lynete visto em todo o episódio e duramente julgado e criticado por Roy, namorado de Karen, rendeu um dos momentos mais bonitos de Tom na série até então. Tom que sempre “julguei” abaixo do padrão de Lynete, pelas tantas vezes que ele foi imaturo e chato, nesse episódio me surpreendeu, a cena que ele explica a Roy porque deixa Lynete “dominá-lo” me fez ver um Tom que nunca vi, de tão maduro e consciente do seu papel como marido dela. Um verdadeiro gesto de amor e compreensão por sua mulher. Com a vida difícil que Lynete teve, sempre tendo que ser responsável por tudo, hoje a faz continuar agindo assim pois é sua forma de manter-se segura e Tom percebeu tudo isso sempre e por isso adotou esse comportamento com a mulher. Quando eu já estava “julgando” o episódio e pensando “de novo essa trama de Lynete castrando Tom” eis que a série dá um up e nos entrega um Tom totalmente inteligente e amando Lynete acima de tudo.

Gaby foi outra que novamente pensei, “mais uma vez essa questão de ser boa mãe ou não”, devido ao julgamento de uma de suas vizinhas. Mas então eu pensei, fugindo do meu julgamento, talvez uma mãe não passa a vida se questionando sobre isso? Logicamente a solução do caso de Gaby não foi tão inspiradora como o de Tom, mas realmente Gaby consegue tornar suas filhas mais lutadoras e independentes.

Susan, ok, aqui desculpem-me, mas não há como não julgar, por mais que Katherine esteja surtando e totalmente errada nessa obsessão por Mike, ainda acho Susan tão chata que a história dela nesse episódio e seu draminha com Mike foram sei lá, de longe o ponto mais fraco do episódio. Tudo bem que ela descobriu que Katherine vem dando loucamente em cima de Mike, e é claro que ninguém iria gostar disso mas graças a Katherine temos tido ótimas cenas engraçadas. Só me surpreendeu ela ser tão facilmente enganada pela Sra Bolen ao final do episódio. Após o tiro acidental que levou de Susan, Katherine é convencida a não chamar a polícia pela Sra Bolen. Realmente não havia necessidade, mas por interesses pessoais (para que arma não revelasse quem são de verdade os Bolen) a Sra Bolen só fez piorar o estado mental de Katherine, alimentando falsas esperanças. Explicando melhor, Danny havia dado a arma dos pais para Julie se proteger.

E Bree foi a mais julgada da noite, por uma camareira do hotel onde se encontra com Karl. De longe foram as cenas mais fortes e interessantes do episódio. Ela falou sobre sua culpa, sobre como se sente em relação a Orson (e eu já nem lembro mais das chantagens que ele fez a ela), mas ao fim não conseguiu parar de continuar cometendo seu “crime”. Bree foi julgada assim como julgou. E como eu disse é mais fácil julgar os outros do que a si mesmos. Tanto foi para a camareira julgar Bree, já que a camareira já traiu o marido e hj não tem nem ele, nem o namorado. Assim como para Bree ao julgar a camareira como uma mulher traída e por isso a raiva dela com o Bree vem fazendo. Só sei dizer que a atriz que fez a camareira, foi excelente. Márcia Cross novamente se destaca no show e por mais louca que Bree seja, é mais fácil julgar Orson que sempre foi chato e estranho, do que Bree. Porque mesmo Karl não valendo nada (desculpem-me, outro julgamento meu) e aparentando ter mudado, para Bree é uma forma de auto conhecimento, de se permitir. Não estou dizendo que a traição é o caminho para alguém se conhecer melhor, sou completamente contra o ato de trair. Mas no caso de Bree de certa forma é compreensível. Lógico que eu acho que ela ainda vai sofrer muito com isso. Pois pior que seja quem está ao nosso lado, ou que tenha feito coisas que nos magoaram, a partir do momento que você segue o mesmo caminho para atingir alguém ou escolhe esse caminho da traição, o sentimento de culpa que Bree demonstrou deve ser atormentador, quando faz você não percebe, aproveita, mas o depois, conviver com a culpa ou ainda pior, nem sentir a culpa, talvez seja o pior nível a se chegar e se transformar em quem nunca pensou ser.

Difícil falar dessa questão da Bree, porque você vai acabar julgando, e eu de fato não sou a melhor pessoa do mundo para evitar os julgamentos. E esse episódio tratou dessa mania que todos ou alguns, não sei ao certo, tem de julgar os outros. Muitos apontam isso como errado, como algo horrível, de fato é, mas como eu disse no começo do texto, seria muita hipocrisia dizer “eu não julgo ninguém”. Eu não falei de um outro lado, onde não devemos ser tão críticos com os outros, e nem com a gente mesmo, deve se achar um meio termo, que é uma tarefa difícil, porque se nos criticarmos demais, acabaremos presos nisso e enlouquecendo, precisamos ser mais livres. Num mundo onde somos constantemente julgados pelos outros e por vezes indiretamente julgamos alguém, as vezes numa simples conversa quando duas pessoas pensam diferente sempre algo, encontrar um caminho onde aprendamos mais a julgar a nós mesmos, o que sentimos, o que fazemos, e isso sim pode ser muito mais doloroso de se fazer, e dificil, quando se é fácil apontar os outros, e ficar nos “achismos” como se soubéssemos seus motivos para agir assim.

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