GREY´S ANATOMY – I saw what I saw (6×06)

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Eu não sou a pessoa mais especializada em Grey´s para tentar fazer bons comentários sobre a série, mas este último episódio, ao meu ver foi um dos melhores dessa temporada. Foi o tipo de episódio que prende sua atenção do começo ao fim. Vimos as mesmas cenas de formas diferentes, sobre o ângulo de cada personagem. Um episódio que tratou da palavra sobrevivência em diversos aspectos, seja na forma literal de um médico lutando para salvar a vida de um paciente ou de um médico lutando para salvar sua pele e seu trabalho. E em momentos assim que vemos até que ponto somos sinceros, verdadeiros e honestos. Qual a melhor forma de salvar seu trabalho? Passando uma rasteira em seu companheiro? Sendo totalmente egoísta e não se importando quem está ao seu lado? Procurando ser honesto e dizendo a verdade mesmo isso que custe a amizade de alguém? Procurando não ser tão honesto para proteger um amigo? Que tipo de médico você será? Que tipo de pessoa você é? “I Saw what I Saw” só pelo título define essas questões.

Foi um dia caótico no PA no hospital. Vítimas de incêndio deixaram todos com os nervos a flor da pele e a morte de uma dessas vítimas, devido a um erro médico colocou todos os residentes na mira do chefe e dos membros da diretoria para descobrir de quem foi o erro. A partir disso, vimos todos os residentes mostrando suas versões sobre tudo o que aconteceu. É evidente o pavor deles de perder o emprego. Todos tentando dizer que fizeram seu melhor, uma dificuldade imensa de falar sobre seus erros, falhas, não apenas pelo medo da conseqüência que isso trará mas também por uma certa arrogância, onde ficou mais cômodo apontar os erros e defeitos dos outros. A guerra continua entre os residentes do Mercy West e Seattle Grace, é raro um movimento em que baixam a guarda, é uma competição acirrada, uma falta de confiança total um nos outros e um tentando ser melhor e as vezes prejudicar o outro. E eu me pergunto, onde fica a vida do paciente em meio a isso tudo, quando vemos médicos mais interessados em alcançar seus objetivos pessoais, uma luta de egos, do que a vida de um paciente?

A paciente que morreu por uma total falta de organização e atenção dos residentes é a resposta a isso. April e Reed que estavam atendendo essa paciente que veio a falecer, se distraem ao verem um paciente em estado critico, o qual para o ego delas era mais interessante. E novamente Grey´s me mostra que esses residentes duelam mais entre si para pegar o caso mais forte ou que os leve a uma mesa cirúrgica do que simplesmente se ater a qualquer paciente que está ali para sair bem do hospital. Quando eles se darão conta que qualquer paciente é importante e especial independente se irão usar um bisturi numa sala cirúrgica?

E o episódio corre dessa forma, todos sendo entrevistados e falando de que forma participaram do atendimento dessa paciente que morreu. Cada um com sua versão e visão dos fatos e do que fez naquela sala. Charlie continua arrogante e tentando jogar tudo nas costas dos outros, Jackson que eu havia simpatizado episódio passado se mostrou outro carniceiro nesse episódio, Karev além de todo o stress do PA tinha que lidar com seus próprios pesadelos ao tentar insistentemente falar com Izzie e descobrir onde ela estava, o que por varias vezes tirou seu foco do paciente. Como um médico pode atender alguém estando tão transtornado? Cristina não fugiu a regra do medo na hora de dizer a verdade. Lexie também teve seus próprios fantasmas e eu gosto muito desse lado mais humano dela, semelhante a Izzie, que realmente se importam com o paciente. E embora o sabão que Arizona passou em Lexie tenha sido muito forte e necessário aquela altura dos acontecimentos, eu entendo o drama de Lexie e o sofrimento ao ver um rapaz tão novo com dores imensas com várias queimaduras.

E no final do episódio após várias cenas, após vários interrogatórios para chegar a questão de quem realmente cuidava daquele paciente, que a primeira instância todos evitavam pega-lo, descobrimos que April foi a médica inicial e simplesmente por uma distração e não ter examinado a garganta da paciente, o quadro se complicou e o paciente foi a óbito. O chefe, cada vez mais rígido, o que já não me faz mais entender suas razões e crises de consciência para ter que agir assim, acaba por demitir April. O que me surpreendeu foi Reed, que até então eu considerava egoísta e com muito pouco de atitudes de amizade ou companheirismo com seus colegas do Mercy, nesse episódio se mostrou ao final muito abalada pela demissão de Reed, enquanto Karev, Charlie e Jackson só faziam zombar de April. E Cristina teve uma fala maravilhosa, ao defender April e falar se todos ali não erraram, se todos nunca cometeram erros.

A verdade estava para vir muito mais na cena de chefe e Derek, do que na cena que descobrimos que April foi a responsável. Pois Derek deixou claro ao chefe, que o que ocorre no hospital é um caos geral. Ótimos médicos duelando entre si, falta de confiança total um nos outros e um chefe afastado disso tudo tentando ser apenas o administrador geral, esquecendo do lado humano e do estado de paz e tranqüilidade que ele deveria fornecer no local do trabalho. Desde que os novos residentes entraram no hospital em nenhum momento houve alguma reunião ou uma atenção a guerra que se iniciou ali dentro. E agora como resolver isso? Como tirar as primeiras impressões e transformar todos numa equipe só?

Acredito que os residentes de Mercy West talvez aprendam com o tempo a serem mais amigos, a se ajudarem a apoiarem, pois isso é o de melhor que podem aprender com os residentes do Seattle Grace, lições de amizade, lições sim que levaram ao salvamento da vida de um paciente. Episódios como esse definem quem as pessoas realmente são, que caráter possuem, se são capazes de reconhecerem seus erros, se são capazes de apontarem para si mesmos e dizer eu errei, eu tomei tal decisão, ou se são capazes de acusarem um colega de trabalho, fugirem de suas responsabilidades ou ainda se são capazes de terem que dizer uma cruel verdade como no caso de Reed sobre April, pois acreditam estarem fazendo o certo, um certo que por vezes prejudicaram a vida do outro. Sérias decisões, difíceis decisões. E eu prefiro acreditar em Derek, April assim como a paciente foram mais vítimas da situação do que April uma única culpada por tudo. Todos erraram, todos focaram-se em seus dramas, em seus egos e o chefe que deveria impedir que tal situação chegasse a esse estado, só anda se preocupando numa caça a bruxas, ao invés de passar verdadeiras lições de como um médico deve agir.

Você gostaria de chegar num hospital, precisando as vezes de um comprimido para dor de cabeça ou até algo mais simples, e encontrasse um local onde um médico trata seu caso sem importância porque na outra sala há um paciente esquartejado que ele prefere pegar esse caso por parecer a ele muito mais importante? É claro que são situações diferentes, cada caso tem sua importância, mas cada médico deveria saber que cada caso merece sua atenção, que seus conhecimentos e seu caráter podem o levar mais longe do que em todo episódio lutar para pegar as melhores cirurgias.

Sem dúvida um grande episódio, acho que tirando a premiere, o melhor episódio até agora. Os residentes do Mercy West deram novo fôlego a série, eu não sei se April volta, espero que sim, mas ótima participação de Sarah Drew em Grey´s e Nora Zehetner está me surpreendendo, arrisco até dizer que foi um episódio mais dela. Embora Lexie tenha tido ares de protagonista no episódio e tenha se saído ok. Já considero o sumiço da Izzie bobo e irritante, ela não precisava abandonar Alex só porque foi demitida, mas Shonda e suas questões, e tem também a ver com o afastamento de Izzie para gravação de um filme, Life As We Know It. Mas enfim, volto a frisar, um grande episódio, e os anteriores também têm sido bons, pode não ser aquela Greys que arranca lágrimas, mas agora ela caiu num mundo real, pois o mundo profissional é assim, por vezes trabalhamos com pessoas boas, por vezes trabalhamos com pessoas que não se preocupam muito em puxar o tapete de alguém, mas independente de com quem você trabalhe, Greys está dando uma ótima visão do mundo atual, do stress diário da vida profissional, das mudanças e de que como passamos por elas.

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