GREY´S ANATOMY – Good Morning e Goodbye (6×01 e 6×02)

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Grey´s Anatomy – Season 6 – Vida, morte, novos caminhos, força, continuar… Enfim, acho que essas palavras resumem um pouco do que foi a premiere da 6ª temporada de Grey´s. Tratar do assunto morte indo até as suas maiores entranhas, as mais profundas, saber qual o tempo dessa dor, quanto dura, como se enfrenta, como se continua ou supera, de que forma o cotidiano nos leva a frente e faz caminhar, enfim, tudo isso também chama-se vida. E num episódio, de levar o mais insensível dos olhos a chorar, nos mostrou um pouco do que chamamos de vida, mesmo quando ela nos prepara surpresas desagradáveis, onde por muitas vezes em tanta dor sofrida, esquecemos que ela ainda se chama vida, e por isso há de se continuar a vive-la bem, mesmo quando ela mesma nos deixa travados. Foi isso que vi nesse episódio memorável de Grey´s.

Grey´s Anatomy sempre foi uma série que conseguiu me levar a 2 extremos, de um lado me emocionado muito em diversas cenas e do outro lado me irritando muito mais com determinadas escolhas que a série resolveu seguir. Lembro do quanto me empolgava na 1ª temporada, de como era gostoso ver a vida daqueles 5 jovens, e isso durou até o final de novela global mais clichê impossível, onde a mocinha ama o mocinho e ele mentiu pra ela porque era casado (mesmo o casamento não existindo mais para ele). Após isso desisti. Porém no final da temporada 2, acabei voltando a série a partir dos episódios sobre Danny e Ezzie e novamente vai o Marcos chorar e se emocionar de novo. A cena do elevador com Izzie é sem dúvida uma das mais belas da tv americana e se torna ainda mais profunda ao som de Snow Patrol com Chasing cars. Então dei nova chance a série e eis que pela frente uma péssima 3ª temporada, casar George de uma hora para outra com Callie foi nada a ver isso (no meu simples ver Callie não tem nada a ver com ele). Pra piorar transformar uma amizade numa relação apaixonada entre ele e Izzie, ao invés de Izzie viver uma temporada de luto, de mudanças assim como Cristina na 4ª temporada de forma mesmo que apagada para a personagem mas real com relação a vida, foi um enorme erro. Continuei tentando assistir e essa relação de Izzie e George pelo menos rendeu uma boa história para a 4ª temporada, quando Callie descobre tudo. Ah, esqueci de mencionar, um dos melhores personagens de Grey´s – Addison – deixa a série para fazer um péssimo spin-off. Private Practice, acredito eu que uma hora semanal de Shonda Rhymes já seja suficiente para se estressar. Mas voltemos a temporada 4 e 5, quando achei que não podia piorar mais, eis que Callie vira lésbica, fazem de tudo para promove-la com Hann e nos convencerem disso, e então na temporada 5 sabe-se lá por quais motivos da ABC desfazem o casal. E ficou a questão, Callie continuará lésbica? Ela realmente era? Piorando ainda mais uma chata amiga do passado de Meredith reaparece, uma médica sem graça entra no hospital e por tudo isso abandonei a série após uns 10 episódios da temporada 5.

Por tudo isso entendo quando muitos falam mal de Grey´s Anatomy, quando muitos comparam a novela, porque se for ver, a idéia é retratar a vida de jovens adultos, médicos residentes, mas se os mudassem para um 2º grau da vida, eles se encaixariam muito bem, pois acho Shonda tão ruim que a vejo escrevendo seriado teen na CW. Mas e os que amam Greys, como ficam nessa minha dura crítica? Porque muitos amam Greys e fazem do show um dos maiores sucessos da tv americana, porque mesmo com uma audiência muito inferior ao início da série – Greys dava mais de 20 milhões toda semana e hoje sofre para fazer uns 15 milhões – Grey´s sem dúvida é sucesso e já tem anos que roubou o posto número 1 de série da ABC e virou comentário, desbancou Desperate Housewives que só foi comentada na 1ª temporada, e não perdeu tanta audiência como Lost no decorrer do caminho. Porque será? Acredito que apesar de todos esses erros, de caminhos mal trilhados, o elenco tem carisma, tem química entro todos, a série trata das dificuldades da vida adulta, sejam amorosas ou profissionais, e quando ela faz isso bem feito, ela emociona, ela chega ao ponto exato, nosso coração, por isso entendo esse misto de amor e ódio por Greys, ela faz o que muitas pessoas nos fazem, ou melhor, nos causam, as vezes agradam demais, as vezes nos irritam demais, mas seguem sendo humanos, como todos nós.

Graças a um grande amigo meu (o mesmo que me incentivou a começar o blog – se hoje vocês me aguentam escrevendo é culpa dele, rss), um grande fã de Grey´s segui seu conselho, vi os episódios finais da temporada 5 e a premiere da nova temporada, e apesar de ser Shonda, muitas emoções em todos esses episódios. E talvez eu não tenha me emocionado mais com esse início da 5ª temporada, simplesmente porque perdi a ligação com os personagens e suas histórias após tanto tempo sem ver a série, também porque como Greys é uma das séries mais repleta de problemas nos bastidores, ficou impossível não saber o que aconteceria com Izzie e George, mas mesmo assim, o episódio emocionou muito e fez um bom início de temporada.

A dor da perda de alguém é tão difícil de ser retratada, mostrada porque é algo tão pessoal, profundo, e muitas vezes nem nós sabemos como externar isso ou como não mostrar isso. E esse episódio inicial tratou tão bem desse tema, foram vários estados de luto, se continuidade, de tentativas, cada um assimilava e entendia a dor da perda da forma que via o mundo e sentia e foi muito especial. O episódio inicia com os médicos do Seattle Grace fazendo de tudo para salvar Izzie e George, a expressão de Alex ao lado de Izzie foi muito forte, o pavor, a dor de ver quem ama morrendo. De outro lado quando George morre gostei muito do espaço dado a Callie, da forma que ela reagiu assim que ele morreu, gostei da cena em que ela vai pegar a mão dele para reconhecer se era ele mesmo. E senão bastasse tudo isso, a cena que Izzie vai vê-lo foi pura emoção. Arizona, novo par romântico de Callie, que eu até havia aprendido a gostar nos últimos episódios da temporada 5, me pareceu tão “chata” nesse início de temporada e eis que vem dela uma cena em que Bailey me emocionou muito, no seu luto por George, Arizona insiste que ela trabalhe e então Bailey fala com toda dor no seu peito, todo choro lacrado ao ajudar Arizona num caso.

E assim o episódio segue, mostrando senão me engano os quase 40 dias após a morte de George, Cristina e o médico que voltou do Iraque (perdoem-me mas não lembro o nome dele) lidam com suas questões, na verdade mais as questões dele, seguem em consultas com a mesma profissional que Meredith se tratou e finalmente ele começa a falar de seus temores, e melhor a relação começa a andar com os dois falando sobre diversas questões. Cristina após Burke merecia uma relação forte. Mark decide um novo passo com a irmã de Meredith, e eu sempre adorei Mark com Callie, acho que por isso nunca a vi lésbica, pois adoro os 2 juntos, mas de certa forma Mark com Lexie combinam, ver o galinhão apaixonado e pensando em morar com ela, foi interessante. Bailey segue com seus problemas pessoais – a separação e dela sempre vêem cenas fortes, a exemplo disso a cena que ela participa da cirurgia para doação dos órgãos de George. Meredith e Derek seguem ok, após seu casamento post it. Callie com seus problemas financeiros consegue manter o entendimento com Arizona. Destaco a cena forte entre ela e o chefe, onde ela o confronta e toca exatamente na ferida dele, quando ele diz eu sou um dinossauro. Aliás gostei muito da participação de Callie em todo o episódio, a cena que ela chora nos braços de Mark, sentindo a perda de George, mais seus problemas de dinheiro juntou drama numa frase meio cômica mas externou bem sua dor. E Derek vive um impasse sobre assumir a direção do hospital e continuar apoiando o “chefe”. A mãe de George fez cenas muito fortes também, destaco a cena dela com o “médico do Iraque”. No final a revelação dos novos rumos que a série tomará nessa temporada, a união do Mercy Hospital e do Seattle Grace.

Duas coisas que não gostei: a cena de risos no enterro de George, achei que o episódio vinha tão forte e dramática, comovente, e de repente vem uma cena dessas, logicamente, para quebrar todo o drama e dar uma nova visão dos fatos, rir da tragédia. Mas achei tão de mal gosto, humor negro tão pesado, que foi a meu ver uma péssima decisão, mas com Shonda preciso me acostumar com esses absurdos. Outra coisa que não gostei foi quando Izzie dá um sabão daqueles na moça que George salvou. Tudo bem a moça estava errada ao ficar todo dia sentada em frente ao hospital e não seguir com a vida, pois o melhor que ela podia fazer para agradecer a George era o presente que ele lhe deu, o direito de continuar vivendo. Mas poderia ter sido tratada de outra forma, com psicólogos, com conversas para ela tirar essa culpa das costas e seguir a vida, no fim, Izzie fez isso por ela.

Enfim, um começo forte, novos rumos, saída de George da série, Izzie lutando para vencer o câncer e a sua cura, a união dos hospitais e fortes cenas, emocionantes cenas como por exemplo a cena que Izzie abraça Bailey ao receber alta do hospital e após tantas cenas marcantes, vem uma das últimas cenas quando esvaziam o armário de George, a cena mostra o jaleco dele com seu nome e Meredith finalmente chora, foi uma cena que encheu meus olhos de lágrimas. Um episódio buscando novas histórias, como se fosse um recomeço, foi visível o quanto todos estavam destroçados emocionalmente, lutando com a dor pela perda de George e lutando com seus problemas sobre suas vidas e na narração final, em conjunto com a última cena menciona-se o que todos viveram durante o episódio, seja fortemente externado ou intimamente sentido, os estágios do luto (negação, raiva, barganha, depressão e aceitação).

Não há como descrever a dor da perda, seja um ente querido, um amor, a morte de alguém, infelizmente é algo que passamos, que passaremos. Quanto aos estágios disso, só cada um pode falar por si e sentir, a única coisa que sabemos é que dói, por mais que se evite, que fuja disso e pareça estar bem um dia esses estágios chegaram, caíram em você e só resta continuar vivendo, achar uma forma de sorrir, de seguir em frente e viver. Grey´s mostrou muito bem isso nesse primeiro episódio, há coisas que não são faladas ou vistas são apenas sentidas no jeito de ser de cada um.

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3 Comentários em “GREY´S ANATOMY – Good Morning e Goodbye (6×01 e 6×02)”

  1. Rafs Says:

    Maninho! que ótimo review!
    é bem isso o que essa serie maravilhosa trouxe em sua premiere, que em nenhuma escola ou universidade do mundo ensina como lidar com a morte!
    Parabens pelos ultimos posts! blog novo postas cada vez mais inspirados! Assim vai longe! hehe
    Abração!

  2. Bruno Says:

    Ótimo review Marquinho! Mas eu achei hilária a cena do funeral… Não seria Grey’s se não tivesse um pouco de humor negro. Tô adorando essa temporada, e por incrível que pareça o George não faz falta alguma.

    Parabéns pelo blog! 😀

  3. joe Says:

    Marquinho, muito muito bom. Eu nao gostei muito do ep, nao me emocionou tanto, mas o teu review sim, hehehe, interessante, né? Vc abordou questoes pertinentes a todo seriado e nao apenas a esse ep, e seus comentarios foram bem pertinentes. Quando Greys é ruim, socorro, mas quando é bom nao tem pra nenhuma outra! E pra mim uma das grandes reviravoltas da 5a temp foi a explicacao do motivo da volta do Danny, cara, genial! E esse video q vc linkou é fantástico! Valeu, parabéns!


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